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Bases de Raquel e Campos disputam narrativas após empate de PSDB e PSB na eleição

Partidos da base aliada da governadora Raquel Lyra (PSDB) elegeram 88 prefeitos em Pernambuco nas eleições municipais, contra 71 do grupo ligado ao prefeito reeleito do Recife, João Campos (PSB). Os dois podem ser rivais na eleição para o governo do estado em 2026.

Logo após o fechamento das urnas no domingo, aliados de Raquel e de Campos —reeleito com 78% dos votos válidos— iniciaram uma disputa de narrativas sobre qual grupo saiu vencedor da votação.

Em termos partidários, o PSDB de Raquel e o PSB de Campos empataram com 31 eleitos cada um —os dois partidos vão fazer o desempate num enfrentamento de segundo turno em Paulista, na região metropolitana do Recife.

O PSDB saiu de 5 prefeitos eleitos em 2020 para 31 em 2024. A atuação da governadora também contribuiu para o salto no PSD, que foi de 14 para 18 eleitos. Raquel estuda migrar para o partido presidido por Gilberto Kassab para a disputa de 2026. Outra sigla aliada dela, o PP, teve 24 eleitos.

Já no entorno de Campos, o principal partido que teve prefeitos eleitos, além do PSB, foi o Republicanos. Comandado no estado pelo ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, teve 22 eleitos, dez a mais do que na eleição anterior. Outros partidos que se dividem entre Raquel e Campos elegeram 23 prefeitos.

Priscila Lapa, doutora em ciência política pela Universidade Federal de Pernambuco, classifica os resultados como um empate técnico. “Ninguém carimbou muito um favoritismo a ponto do outro ficar muito atrás. Os dois [Raquel e João] passaram no teste.”

Mesmo dividindo a liderança no número de prefeitos, o PSB sofreu uma baixa, já que teve 53 eleitos em 2020, quando estava à frente do Governo de Pernambuco.

Nos bastidores, líderes do partido atribuíram a redução à saída do Executivo estadual. Ainda assim, viram êxito no resultado, semelhante ao do partido da governadora.

Para a cientista política, a liderança de Campos foi decisiva para o PSB manter força política em nível estadual.

“O PSB foi derrotado na eleição de 2022. As urnas deram recado que não queriam o partido. E isso tem consequências como a fuga de lideranças. Imaginava-se que o partido agora estaria com dificuldade em agregar quadros e não foi o que aconteceu.”

Já quando se analisam os 10 maiores colégios eleitorais, a oposição à governadora venceu em 6, incluindo a capital. Ela saiu vitoriosa apenas em um, Caruaru, seu berço político e onde participou ativamente da campanha do prefeito reeleito Rodrigo Pinheiro (PSDB).

Na região metropolitana do Recife, que concentra 42% do eleitorado do estado e 3,7 milhões de habitantes, o grupo de Campos venceu em sete municípios (2,057 milhões de moradores), enquanto seis aliados de Raquel foram vitoriosos (252 mil habitantes).

As bases de Raquel e Campos terão dois tira-teimas. Em Olinda, a governadora apoia Mirella Almeida (PSD) contra Vinicius Castello (PT), aliado de Campos que acabou à frente no primeiro turno. Em Paulista, disputam Ramos (PSDB) e Junior Matuto (PSB). Juntas, as duas cidades do Grande Recife têm quase 700 mil habitantes.

Campos confirmou à Folha que participará das campanhas das duas cidades fora do horário de expediente na prefeitura. Há expectativa de que Raquel também se envolva nas disputas.

Após o resultado do primeiro turno, aliados dela viram fortalecimento da gestora, alegando que o PSB tinha difundido um discurso de terra arrasada para a governadora diante da alta popularidade de João Campos no Recife.

“Até agora, só tinha um time em campo. Engana-se quem acha que o jogo de 2026 está jogado. Está começando, e Raquel Lyra entrou na partida com força eleitoral”, diz o deputado federal Mendonça Filho (União Brasil).

A cientista política avalia que o trabalho de bastidores foi a principal forma de atuação da governadora nas campanhas municipais.

“Raquel conseguiu mostrar a força dela e do governo. E ela não caiu em campo explicitamente como fez em Caruaru. Foi uma atuação muito de bastidor. A expectativa era de que ela não demonstraria força por causa das dificuldades do governo e isso não se concretizou.”

Por sua vez, o PSB questiona a força política da governadora e cita o fato de o candidato apoiado por ela no Recife, o ex-deputado federal Daniel Coelho (PSD), ter terminado em quarto lugar, com apenas 3,2% dos votos válidos.

Na segunda-feira (7), Raquel publicou nas redes sociais uma mensagem comemorando o número de prefeitos aliados eleitos. A contagem inclui aqueles que tiveram apoio também do PSB. “Um sinal claro de que a mudança de verdade está chegando e fazendo diferença do sertão ao litoral.”

O presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, ironizou a publicação da governadora. “Deve ter sido o quarto lugar do secretário [Coelho era da pasta estadual do Turismo] no Recife que fez a governadora se atrapalhar nas contas.”

Uma vitória de cada partido nas eleições municipais em Pernambuco está ainda sob análise da Justiça Eleitoral.

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